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CONHECIMENTO E LIBERTAÇÃO

A ignorância natural é compreensível, como a que caracteriza toda criança. A ignorância condicionada é inaceitável, como a que persiste na caracterização da maioria dos adultos. Dois mil e quatrocentos anos antes do presente, Platão criou a Alegoria da Caverna, para ilustrar o estado de ignorância. A ilustração continua válida hoje. Independentemente de todo avanço filosófico e científico, pouca gente se liberta das correntes no fundo da caverna, para sair dela por um caminho íngreme e conhecer a luz. A ilusão sustentada por preconceitos e crenças ainda prevalece sobre a realidade, cuja superação exige um mínimo de conhecimento. A aventura dessa evolução é possível. Entre os conhecimentos exigidos para uma instrução transformadora, inclui-se a História. Com base na experiência pessoal, sugiro que se comece com a leitura (estudo) sobre a Suméria, os primeiros passos dados pela nossa civilização no Neolítico. Na Mesopotâmia, teremos a explicação de como e por que o homem, por e...

CONDICIONAMENTO RELIGIOSO

O Grande Houaiss traz a significação seguinte para o termo condicionamento : FISL PSIC processo de associar, pela repetição, um estímulo a uma reação não natural, de tal modo que a exposição a tal estímulo passe a provocar essa reação. Em Considerações neo ateístas (2016), publico um exemplo para ilustrar o processo condicionante: Uma criança santiaguense, antes mesmo de ser alfabetizada pelos pais ou pela escola, é apresentada à Bíblia – o livro ditado pelo deus judaico-cristão. Dessa forma, ela passa a ter uma iniciação, um condicionamento na religião em que fora batizada nos primeiros anos de vida. Outra criança, nascida em Gardez (Afeganistão), antes mesmo de ser alfabetizada pelos pais ou pela escola, conhece o Corão – o livro ditado pelo deus do islamismo... O resultado é bastante diferente: um novo cristão aqui e um novo islâmico lá. Em razão de meu espírito crítico, filosófico, pergunto por que as duas crianças acima creem em religiões diferentes, em deuses diferen...

INTERVENÇÃO?

          O Art. 142 da Constituição Federal assim se acha expresso verbalmente: As Forças Armadas, constitu ídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.          Apenas para enfatizar o tema do meu texto, destaco duas informações no artigo transcrito acima: “sob a autoridade suprema do Presidente da República” e (as FA) “destinam-se à garantia da lei e da ordem”.  Não há necessidade de hermenêutica para a interpretação objetiva (literal) dos enunciados entre aspas. Todo cidadão é capaz de fazê-lo, independentemente de seu grau de escolaridade.    Num regime presidencialista, a questão “por que a...

COMENTÁRIOS (IM)PERTINENTES

APORIA POLÍTICA Sou de direita. Penso e defendo um Estado mínimo. O Estado, como se apresenta no atual momento histórico, caminha a passos largos para a bancarrota (ruína, falência, quebra). Ao terceirizar alguns serviços essenciais, as empresas contratadas planejam faturar dez vezes mais que o justo (em razão de seu cliente ser exatamente o Estado). Isso resulta num maior gasto aos cofres públicos. Qual a solução? COLETA DE LIXO Santiago já exemplifica o dilema exposto acima. O município não mais tinha condições de coletar e tratar todo o lixo produzido na área urbana (um exagero que responde pelo consumismo desenfreado). A alternativa foi terceirizar, repassando para os munícipes uma taxa para cobrir a nova despesa. O que poucos onerados sabem é que entrará em vigor um aumento exorbitante dessa taxa, mais exatamente 33 % % para as coletas residenciais e 140 % % para as coletas comerciais. RODOVIAS E ESTRADAS O aumento de taxas e impostos é tão somente uma das pr...

ELEIÇÕES DE 2018

Os (pseudo)democratas enchem a boca para discursar sobre a importância das eleições diretas, como ato popular inexcedível. Uma demagogia sem vergonha, que menospreza a inteligência e o senso ético ainda existentes no citado e explorado povo brasileiro. O voto, todos sabemos, nada faz mais que chancelar uma escolha feita dentro dos partidos políticos, hoje uma das instituições com menor índice de credibilidade no país. Depois das urnas, os eleitos se reúnem em torno das bancadas estanques, dos próprios partidos ou do Congresso (no caso do Legislativo), bem como dentro do Planalto, onde se encastela parte do governo (no caso do executivo). Nos dois casos, deixa-se de ser observada a vontade do povo ao longo de quatro anos a mais. A última eleição em âmbito nacional constitui a prova da tese desenvolvida acima. O eleitor não tinha outra escolha, já polarizada entre Dilma Rousseff e Aécio Neves. Impeachment da presidente (nunca “presidenta”) e cassação do outro (impedida pelo corpor...

O CORPO NU É ARTE?

O corpo nu, ao vivo, é arte?  Um grupo de intelectuais brasileiros responde afirmativamente, baseando-se na arte conceitual, cuja tendência é de valorizar a ideia e não os aspectos materiais.   Dessa forma, o expectador é levado a interagir com a obra para compreender as intenções do artista.  Quem produziu o corpo humano? Deus, creem os criacionistas. A natureza, respondem os evolucionistas. Pouca diferença faz saber quem é o autor. Se o corpo nu é arte, tudo mais o é: uma árvore, um cão dormindo, um carrapato, uma flor... Isso significaria o fim do próprio conceito de arte, muito além do que Michel Archer chamou de "fim das certezas". A obra de arte, independentemente de toda definição, necessita da intervenção do homem como artista, único capaz de produzi-la com um propósito não apenas estético.  O corpo nu pode ser interface ou instrumento para alguma manifestação ou performance artística: tatuagem, joia, roupa, dança, fotografia etc.

A OBRA

Buenos Aires é uma obra extraordinária do artifício humano, construída entre as águas do Rio da Prata e as planuras naturais. Para realizá-la, seus autores se esmeraram no desenho e na execução do projeto urbanístico. A arquitetura trazida da Europa modelou a grandeza e a excentricidade da aristocracia que governava a Argentina. A essas duas características, associava-se a permanência no espaço-tempo, herdada dos clássicos pela modernidade (que Zigmunt Bauman chamaria de “sólida”). A obra continua em pé, despertando a atenção do turista, que vem de todos os lugares do planeta. O século XXI, todavia, coloca-a frente a um desafio ameaçador, qual seja, resistir à “liquefação” pós-moderna. O fenômeno transformador já chegou por intermédio da urbanização caótica (Puerto Madero de um lado, a favela de outro);  das culturas novas, globalizadas; dos governos populistas, igualitários... Nada é para sempre, inclusive as Pirâmides (e os mausoléus do cemitério da Recoleta).  ...