HOMEM VERSUS VÍRUS


       A peleia entre homem e vírus existe desde a origem do último desses contendores naturais. Malgrado a diferença estrutural entre os dois, nenhum outro confronto é mais violento, mais mortal.

        Por muito tempo, antes de o homem realizar uma revolução técnico-científica na chamada modernidade, a história registra um desequilíbrio em favor do vírus. O sarampo, por exemplo, devastou continentes inteiros até que a vacina fosse desenvolvida. Mesmo com uma eficácia acima de 95% do medicamento, nem toda a população humana foi ou é submetida a ele, o que tem como consequência a infecção de 20 milhões de indivíduos por ano.

        O ataque do coronavírus pegou o homem de surpresa, despreparado para um inimigo novo e bastante agressivo. A confiança em nossa superioridade foi fortemente abalada com o avanço do invasor e as baixas causadas por ele.

        Repentinamente, a ciência médica foi colocada na berlinda, santo graal para salvar quem bebesse nele a água da vida. Nunca antes o senso comum se importou com o conhecimento científico, pelo contrário, agarrava-se ainda mais em suas crenças e superstição toda vez que se via diante da morte.

        A mobilização do homem já começa a surtir efeito, de virar a grande batalha. A guerra continuará futuro adentro, com alguns armistícios, na medida em que o vírus sofre mutações em sua determinação genética para multiplicar-se indefinidamente.  

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