URI, IFFAR...
A criação do campus pleno do Instituto
Farroupilha em Santiago amplia as oportunidades na educação pública para os
jovens santiaguenses e da região centralizada culturalmente pela nossa cidade. Não
digo que vem tardiamente, na medida em que sempre é atual e necessário um
projeto dessa envergadura.
Cidades vizinhas, como Jaguari, Júlio
de Castilhos e São Vicente (aquém de Alegrete, Santo Ângelo e São Borja, também
beneficiados), já contavam com esse campus federal. Por que Santiago foi a
última a ser atendida? Não houve anteriormente mobilização política? A resposta
é óbvia, está na ponta da língua de todas as pessoas que conhecem a política no
âmbito paroquial. Ninguém ousa expressá-la em vista do risco de ser escanteado
pelo establishment, ou pior, demitido
pelos poderes dominantes. (Para evitar mal-entendido, remeto a um conceito de Foucault,
filósofo que descreve o poder político como descentralizado, feito “uma rede capilar
que circula em todas as relações sociais, cotidianas e institucionais”.)
Ao se tratar de educação, o projeto da escola
pública (lato sensu) me faz admitir a dianteira da esquerda no Brasil. O Dr.
Lang, quando foi prefeito em Santiago (1956-1959), criou escolas, inclusive no hoje
Rincão dos Machado. Havia demanda de alunos. (Meu avô Firmino Machado era
petebista, recebeu carta manuscrita de Getúlio Vargas.) Com a eleição de
Gumercindo Saraiva em 1959, pela coligação do PSD, UDN e PL, uma de suas
medidas executivas foi transferir a escola do rincão. Interesses particulares daquela
época encontram-se na mesma linha das respostas às perguntas do parágrafo
anterior. Outro exemplo da maior proximidade da esquerda com a educação é Leonel
de Moura Bizola, com a criação das “brizoletas”, escolas primárias no Rio
Grande do Sul, e dos “brizolões”, ou CIEPs, no Rio de Janeiro.
Não obstante oferecer cursos tecnológicos,
o IFFar concorrerá para uma menor procura da Universidade Regional Integrada do
Alto Uruguai e das Missões, campus Santiago. Obviamente, a URI sobreviverá com
alguns de seus cursos atuais e outros que venha a estabelecer futuramente.
Sou pessimista em relação a uma melhora
da economia em nossa sociedade produtiva, cujos reflexos são visíveis em todas as
instituições sediadas em Santiago. Nos últimos anos, o agronegócio vem sofrendo
repetidos prejuízos (prova indesejável para minha tese). Por essa razão, aplaudo
a vinda do Instituto para Santiago, porque é uma escola pública federal (ainda
sustentada pelo contribuinte). Quanto ao campus da URI, que viveu seu apogeu em
torno do ano 2000, com todas as aulas iluminadas, torço para que continue
resistindo ao matagal, ao debacle.
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